O que poderei contar sobre mim?Bem, fui uma bébé aparentemente "normal" até cerca dos meus dezoito meses de idade, altura em que a minha mãe notou que havia algo de estranho comigo, já que com essa idade eu não conseguia estar de pé.
Depois de várias idas ao médico sem explicação ou solução para o que estava a acontecer-me, a minha mãe tomou a iniciativa de me levar a uma consulta ao Hospital Maria Pia
(Porto).
Foi então que depois de inúmeros exames, desde biópsia a picadas na coluna, foi diagnosticado o meu problema. Uma doença com um nome muito esquisito, é verdade, chamada doença de Werding Hoffman, mais conhecida no nosso país como atrofia espinal.
É uma doença na parte anterior da coluna, que provoca a fraqueza dos músculos causando dificuldades nos movimentos dos membros e provoca a incapacidade de caminhar.
E desde então tudo se tornou complicado para mim, sobretudo com o passar dos anos e com a minha tomada de consciência que haviam montes de coisas e brincadeiras que eu não podia fazer como as outras crianças da minha idade.
Mas nessa altura até não me sentia triste, talvez por ainda ser criança, sabia que não podia brincar como os outros, mas brincava à minha maneira com o que podia.
Passei por muitas coisas más, por ter sido criada num infantário, sendo eu "diferente", estava sujeita às "diabólicas" travessuras de crianças. Fui por muitas vezes parar ao hospital, com braços fracturados, nariz rebentado e por ai fora, tudo originário das quedas, dos empurrões, pela falta de cuidados para comigo, junto das outros miúdos mais "selvagens".
Fiz a escolaridade "normal", em escolas "normais", junto de pessoas "normais" e fui uma das melhores alunas, passei sempre a tudo com distinção. Tive amigas que me acompanharam desde o ensino primário até à conclusão do ensino básico, pena que depois de tantos anos juntas nunca mais me tenham falado ou visitado.

E continuei o meus estudos fui para o ensino secundário, para a área de Humanidades Especifico de Comunicação e Difusão. Foram três anos bem passados, sem qualquer dificuldade de minha parte "fiz aquilo com uma pernas às costas".
Por fim, como não tive vontade de ir para o ensino superior, fiz uma formação profissional na área de Secretariado e Informática, que terminei este ano, mas que ao contrário do que esperava e me disseram, não consegui pelo menos até hoje, arranjar emprego.
Agora estou em casa, procurando e esperando melhores dias, correndo atrás do que mais quero, que é conseguir emprego, um cargo, uma ocupação onde me sinta útil e capaz.