Perfeição,
És aquela “coisa”, aquele “ser” repugnante,
Egoísta e insensível,
Que julga e se acha superior a mim.
Quantas vezes me cruzo contigo na rua,
E mudas de caminho para não passares por mim,
Apenas porque tu caminhas e eu não.
Quando me olhas viras o rosto e não me enfrentas,
Ou pior que isso,
Olhas-me com desprezo e insignificância,
Porque tu sabes que sou “diferente”.
Se me vês triste ou doente,
És incapaz de me falar ou abraçar,
Por achares que sou um “ser” sem sentimentos,
Que suporta tudo e não chora.
Sabes que para mim viver é uma constante luta,
Que passei por muito sofrimento e imensas perdas,
Mas mesmo assim,
Fazes questão de “esfregar” na minha cara as tuas vitórias,
Com intuito de me magoar e me rebaixar diante de ti.
És uma perfeição tão perfeita,
Que te vestes com a “capa” da beleza física,
Sabendo tu que essa é a tua única qualidade,
Escondendo assim,
O teu interior que é tão feio.
Apontas-me tanto o dedo e humilhas-me,
Mas não lembras,
Que quando choras sou a primeira a dar-te a mão,
E não me importo como és nem o que fizeste.
Quando viras o rosto,
Contínuo a olhar-te sem te julgar.
E ao desabafares comigo,
Ouço-te e dou-te uma palavra de conforto,
Ficando feliz por ti ou chorando contigo,
Desejando sempre o melhor para ti.
Ainda assim,
Por teres unicamente beleza física,
Achas que és a perfeição?