Meu espelho, espelho meu
Afinal quem sou eu?
Sou a “Branca de Neve” desajeitada
Que de bonita não tenho nada.
Com um tom de pele bem clara
Que o sol não estragara
Cada sinal espalhado
Em meu corpo colocado.
Meu espelho, espelho meu
Afinal quem sou eu?
Sou o olhar profundo e perdido
O brilho apagado
Pelo tempo me ter esquecido
E de muito ter chorado.
No Mundo não tenho lugar
Na vida dos outros a mais sempre vou estar.
Meu espelho, espelho meu
Afinal quem sou eu?
Sou um doce desejo
Que não querem amar
De suaves lábios que é meu beijo
Que só querem provar.
Sonho em ser importante para alguém
E não um objeto quando convém.
Nas histórias de princesas foi despertada
A “Branca de Neve” encantada
Mas na vida real serei sempre a desajeitada
Que nunca será amada.
Toda a dor por mim sentida
Em ti espelho meu é refletida
Num vidro em estilhaços
Tal como está a minha vida em pedaços.
