segunda-feira, 19 de julho de 2010

Descobre-me (Pedro Madeira)


ESTA MÚSICA DIZ PRATICAMENTE TUDO O QUE PENSO, SINTO E SOU...
DESCOBRE-ME ...
DESCOBRAM-ME ...

Mais um Pouco de Mim

O que poderei contar sobre mim?Bem, fui uma bébé aparentemente "normal" até cerca dos meus dezoito meses de idade, altura em que a minha mãe notou que havia algo de estranho comigo, já que com essa idade eu não conseguia estar de pé.

Depois de várias idas ao médico sem explicação ou solução para o que estava a acontecer-me, a minha mãe tomou a iniciativa de me levar a uma consulta ao Hospital Maria Pia (Porto).

Foi então que depois de inúmeros exames, desde biópsia a picadas na coluna, foi diagnosticado o meu problema. Uma doença com um nome muito esquisito, é verdade, chamada doença de Werding Hoffman, mais conhecida no nosso país como atrofia espinal.

É uma doença na parte anterior da coluna, que provoca a fraqueza dos músculos causando dificuldades nos movimentos dos membros e provoca a incapacidade de caminhar.

E desde então tudo se tornou complicado para mim, sobretudo com o passar dos anos e com a minha tomada de consciência que haviam montes de coisas e brincadeiras que eu não podia fazer como as outras crianças da minha idade.

Mas nessa altura até não me sentia triste, talvez por ainda ser criança, sabia que não podia brincar como os outros, mas brincava à minha maneira com o que podia.






Passei por muitas coisas más, por ter sido criada num infantário, sendo eu "diferente", estava sujeita às "diabólicas" travessuras de crianças. Fui por muitas vezes parar ao hospital, com braços fracturados, nariz rebentado e por ai fora, tudo originário das quedas, dos empurrões, pela falta de cuidados para comigo, junto das outros miúdos mais "selvagens".





Fiz a escolaridade "normal", em escolas "normais", junto de pessoas "normais" e fui uma das melhores alunas, passei sempre a tudo com distinção. Tive amigas que me acompanharam desde o ensino primário até à conclusão do ensino básico, pena que depois de tantos anos juntas nunca mais me tenham falado ou visitado.



E continuei o meus estudos fui para o ensino secundário, para a área de Humanidades Especifico de Comunicação e Difusão. Foram três anos bem passados, sem qualquer dificuldade de minha parte "fiz aquilo com uma pernas às costas".








Por fim, como não tive vontade de ir para o ensino superior, fiz uma formação profissional na área de Secretariado e Informática, que terminei este ano, mas que ao contrário do que esperava e me disseram, não consegui pelo menos até hoje, arranjar emprego.






Agora estou em casa, procurando e esperando melhores dias, correndo atrás do que mais quero, que é conseguir emprego, um cargo, uma ocupação onde me sinta útil e capaz.







sábado, 17 de julho de 2010

Triste

     É triste sentirmo-nos sós e abandonados no Mundo, sentirmos que não temos o apoio dos amigos, naqueles dias em que parece que o Mundo sem razão aparente nos cai em cima . Em dias em que um simple "Olá!", "Como estás?", já nos faz tão bem, porque nos faz sentir acampanhados, com a sensação que fazemos parte da vida de alguém, que não fomos esquecidos como tantas vezes pensamos ser, pois ninguém nunca mais nos visitou ou nos veio ver ou dar um abraço.
     É também triste não termos a dedicação e a preocupaçao de alguém especial, (confesso que sinto falta de me sentir especial e importante na vida de alguém). :( Mais triste que tudo isto é não ter a aprovação da sociedade, por termos nascido diferentes para nossa infelicidade.
     Toda a gente fala das pessoas com deficiência, dizem que são cidadãos como os outros mas na prática não fazem nada para melhorar o nosso bem estar e facilitar a nossa integração pessoal e profissional na sociedade.
     Sim, sou uma portadora de deficiência motora, fui uma dessas crianças que nasceu diferente, que aprendeu desde cedo a ser tratada e vista como "diferente".
     Fui uma dessas meninas que nasceu sem infância, passando por uma adolescência dolorosa e que hoje já na idade adulta estou mais derrotada que nunca.
     Derrotada, cansada e frustrada, assim sou eu hoje, uma miúda triste que perdeu os sonhos, a esperança e a vontade de viver, porque a vida e algumas pessoas me desgastaram, me magoaram, me fizeram sentir alguém inútil e incapaz. Como se estar numa cadeira de rodas e ser praticamente dependente seja um crime, e como tal eu não ter direito a viver, a sorrir e a sonhar.
    Hoje essas pessoas continuam a viver como se nada tivessem feito, como se nunca me tivessem conhecido ou se cruzado na minha vida e isso choca-me.
     Como há pessoas capazes de se deitar no travesseiro todas as noites e dormirem descansadas, não terem o peso na sua consciência de que magoaram e acabaram com a réstia de alegria e esperança de alguém que só quer ser feliz apesar do sofrimento que a vida por si já lhe causa?

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Quero


Quero sorrir a toda a hora
Mas sempre cai uma lágrima rosto fora.

Quero correr e saltar
Mas as minhas pernas não sabem andar.

Quero ser divertida
Mas mesmo assim sou esquecida.

Quero falar de coisas boas sem parar
Mas as coisas más fazem-me calar.


Quero vencer e viver
Mas acabo sempre por desistir e perder.