Pensei que anos volvidos Apaziguassem sentimentos vividos
terça-feira, 26 de março de 2019
Dear 2019,
Faço hoje de ti um diário, um desabafo daquilo que sinto.
Já não há vontade para poemas, já não há vontade para escrever seja do que for. Mas preciso "falar" com "alguém", atenuar um pouco este "síndrome da garganta", de "engolir" e "guardar" tudo o que sinto pra mim.
Estou cansada de tudo, de fazer parecer estar tudo bem, apenas pra não preocupar quem me rodeia.
Apetecia-me desaparecer, mas desaparecer à séria, queria deixar de existir. Mas até para me matar preciso de ajuda! Nem pra isso sirvo!
Ser dependente grande bosta! Para o meu bem ou para o meu mal preciso dos outros!
Cansei de sorrir para as pessoas, cansei de esconder que estou a sofrer e que as dores de um braço partido já passaram. Contudo, as dores do meu coração não...
Chorei por um braço partido no dia 8 de Fevereiro, hoje ainda choro pelo abandono que senti.
Ao lembrar desse dia sinto revolta e mágoa. Sinto mais abandono, sim, mais abandono, mais prisão, mais solidão, mais dependência.
Sinto-me culpada por fazer as pessoas que amo sofrerem, por arrastá-las pra esta bosta de vida. Sem mim não teriam tantas preocupações, já teriam ido pra outro lugar, saido desta casa e começado de novo.
Mas cá estou eu! A mais como sempre! E mesmo tendo vontade, não consigo matar-me!
Toca a "engolir"! Toca a esconder! Toca a sorrir!
Chorar só quando ninguém vê. Nasceste pra viver assim, conforma-te, só os outros podem ser egoistas e acabar com a vida!
Tu tens que sofrer até ao fim...
terça-feira, 12 de junho de 2018
Faz dois anos que não escrevo aqui no blogue, perdi um pouco a vontade de o fazer, assim como o entusiasmo por escrever poemas.
Já não me encanta a escrita, já não me encanta a vida...
Quando perdemos os objetivos e os sonhos, uma parte de nós deixa de existir. Aquele empurrão, aquela vontade de nos superar, de atingir etapas desaparece...
Fui obrigada a crescer cedo, sempre tive que lidar com as dores físicas e emocionais, sempre tive que fazer um esforço extra para "seralguém".
Este "seralguém", foi algo sempre marcado em mim, tornou-se uma direção a seguir, um sonho a alcançar. Mas há sonhos impossíveis, e ser realizada profissionalmente e pessoalmente, tornou-se um caminho sem saída.
Hoje, muito pouca coisa me interessa, entrei numa espécie de "manualdesobrevivência". Onde um dia nada mais é que um mero dia, em que um ano é um sucessivo acumular de dias...
Como podem ver é uma vida emocionante, e escrever sobre ela é uma terapia para o meu desenvolvimento depressivo!
Valha-me ao menos pintar, tornar um desenho a preto e branco, num desenho colorido e animado.
É isso que tenho feito dos meus dias, pintar, trazer cores à minha vida...
Troquei a terapia da poesia pela anestesia da pintura!
Nenhum desenho consegue ser perfeito, Os traços por vezes copiados Ou mesmo inventados, Ganham vontade própria. Cria-se algo que nunca aconteceu... Inumeras tintas misturam-se, E as cores escolhidas Tornam-se promessas. Claras como a luz, Ou negras como a escuridao... Trabalha-se o belo e o horrendo, Difícil opção Numa tela de sensações. Ora a felicidade, ora a tristeza... Marcando dois pontos de fuga, Rabisca-se o horizonte Infinito em ilusão, E finito em desilusão... Acaba-se o desenho, Fingindo ou acreditando Naquilo que se inventou.
Que mais queres Tu de mim,
Já não chegou aquilo que me fizeste,
Mesmo antes de eu nascer?
Foste Tu que escolheste a minha vida,
Porque me fizeste assim?
Se era para viver dependente
E presa a uma cadeira de rodas,
Porque quiseste que eu pensasse
Ou percebesse o que me rodeia?
Podias ter-me feito "tolinha",
Viveria feliz no "meu mundinho".
Contudo, deste-me estudos,
Não sou ignorante
Mas para muitos não passo de uma inútil. Tu deixaste que me humilhassem,
Por achares graça ao tratarem-me como "diferente".
Podias ter-me poupado a sofrimentos,
Se naquela cirurgia
Tivesses-me "levado pra Tua beira".
Mas segui a Tua vontade...
E deixaste que a pessoa que amei fosse embora,
Porque me mostraste o que é o amor?
Aprendi o que é a amizade
E os amigos onde estão?
Aqui só, ouve-me...
Deixa-me desistir,
Quem disse que eu era capaz?
Sou apenas uma pequena humana,
O meu corpo é frágil,
O meu coração está ferido
E a minha alma sangra.
Faço do meu coração
Uma "caixinha" de recordações.
Nos meus sussurros silenciosos,
Abro essa "caixinha"
E retiro dela pequenas pérolas preciosas.
Revivo e revejo cada momento,
Reconheço-me naquela menina sorridente
E a saudade vem...
Sem conseguir parar,
Vou tirando mais pérolas preciosas
Da minha "caixinha" de recordações.
Até que a lembrança de ti surge...
Consigo ver-te novamente,
Consigo amar-te mais uma vez.
E assim fico durante horas do meu dia,
Ignorando os silêncios sofucantes,
Imaginando-te ainda aqui comigo.
Tu és a minha marca do passado,
A pérola mais preciosa
Que a minha "caixinha" de recordações possui.
Na insignificância do que hoje sou,
Procuro-me na alegria de outrora,
Encontro-te e refaço a nossa história
Através das minhas memórias...
Aproxima-se o fim de mais um ano, daqui a umas semanas chega mais um aniversário e tudo permanece igual... Não cheguei a lugar nenhum...
Continuam a haverinúmeras coisas que queria viver, sítios que queria ver, gargalhadas que queria dar...
Continuo a deparar-me com a irónica situação de ser "boa" de mais para ser integrada em determinadas instituições, e "má" de mais para entrar no mercado de trabalho.
Continuo a ter a mesma visão da vida:
Um passado que me derrotou, um presente tão sem graça e um futuro roubado.