terça-feira, 2 de agosto de 2011

De Bela a Monstro

   
    Tenho pegado em personagens de histórias infantis e contextualizá-las na minha história de vida, e desta vez, a tão conhecia “Bela e o Monstro” que por mim se transformará “De Bela a Monstro”.
    Tudo começa nas redes sociais, cujas fotografias eu sou considerada “Bela”, são muitos os rapazes que elogiam o meu sorriso e a forma simpática como me expresso.
    Vão estando em contacto online, tomando sempre a iniciativa de conversar comigo, por me acharem linda e querida. E em poucos minutos já dizem que me querem conhecer pessoalmente, independentemente da distância, apenas com a explicação de que me acham diferente e especial.
    Então aqui a “Bela”, vê-se na obrigação de contar aquilo que as fotografias vistas sem atenção não mostram. Chega o triste momento de dizer que tenho um problema de saúde e que por isso estou numa cadeira de rodas, o que me faz ter algumas limitações físicas.
    É nesses momentos em que tenho que revelar a minha verdadeira realidade, em que escrevo e a as lágrimas escorrem-me pelo rosto, porque sei que a forma como me estavam a tratar até então iria mudar.
    Eu iria deixar de ser como qualquer rapariga da minha idade, iria perder todo aquele interesse e carinho, todas aquelas palavras lindas que me faziam sentir bem, ou seja, iria deixar de ser “Bela”.
    A minha auto-estima e a minha oportunidade de conseguir ter e ser um pouco como qualquer outra rapariga, cai por terra, depois de ser sincera e honesta, contando esse pequeno grande pormenor da minha vida.
    Surge aí a mudança, surge aí o título deste texto “De Bela a Monstro”, porque é num “Monstro” que depois me transformam, é num “Monstro” que me fico a sentir ao ver a forma como me passam a tratar e toda aquela indiferença.
    Seguidamente a minha mente adivinha apenas dois possíveis cenários: primeiro em que esses contactos em questão simplesmente me apagam e o segundo em que até me aceitam, mas somente na condição de amigos. Ou seja, todo aquele interesse, todas as insinuações de querer algo mais que amizade acabam ali, apenas por ser revelada uma diferença no aspecto físico, e a amizade me fosse dada como prémio de consolação.
    “De Bela a Monstro” é o termo perfeitamente correcto, é assim que me caracterizo ou me fazem caracterizar sempre que toda esta situação se repete e será isto justo?
     Será que é justo eu deixar de ser bonita, simpática, querida, ser a “Bela” só porque estou numa cadeira de rodas?
     Será que por ter limitações físicas me é imposto um rótulo de incapaz, de alguém incapaz de amar, ter afectos, ser o “Monstro”?
     Respostas a estas perguntas até hoje não tenho, apenas sei que para os rapazes vou continuar a ser a “Bela” que virou “Monstro” e eu vou continuar a sentir-me cada vez mais um “Monstro”.

1 comentário:

  1. Pois para mim ninguém com limitações físicas, como andar de cadeira, vira "Monstro", pois fomos feitos para amar dependendo da forma da pessoa ou melhor nós devemos preservar as qualidades não o físico.

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